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You are at:Início » Retinopatia diabética: Tratamentos disponíveis, estágios e como preservar a visão
Saúde

Retinopatia diabética: Tratamentos disponíveis, estágios e como preservar a visão

WebdsonBy Webdson24/05/2026067 Mins Read
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Retinopatia diabética
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O diabetes pode silenciosamente destruir a visão. A retinopatia diabética é a principal causa de cegueira em adultos em idade ativa no Brasil, e o tratamento varia conforme o estágio da doença e pode envolver controle clínico rigoroso, injeções intravítreas, fotocoagulação a laser ou cirurgia vitreoretiniana.

Não existe uma única abordagem: o oftalmologista define o protocolo com base na progressão das lesões na retina e na situação sistêmica do paciente.

Nos estágios iniciais, quando ainda não há vasos sanguíneos anormais crescendo na retina, o controle da glicemia, da pressão arterial e do colesterol é o tratamento principal. Estudos demonstram que manter a hemoglobina glicada abaixo de 7% reduz em até 76% o risco de progressão da doença para formas graves.

Nos estágios intermediários e avançados, são necessárias intervenções diretas no olho, descritas em detalhes abaixo.

Estágios da retinopatia e o tratamento correspondente

EstágioCaracterísticasTratamento indicado
Não proliferativa leveMicroaneurismas isoladosControle clínico do diabetes
Não proliferativa moderadaHemorragias, exsudatosControle clínico intensivo
Não proliferativa graveOclusões venosas extensasMonitoramento e possível laser
ProliferativaNeovascularização da retinaLaser panretiniano e/ou injeções
Maculopatia diabéticaEdema na máculaInjeções intravítreas (anti-VEGF)

Injeções intravítreas: o tratamento mais utilizado atualmente

As injeções intravítreas de medicamentos anti-VEGF representam hoje o padrão ouro para o edema macular diabético, que é a forma mais comum de perda visual associada ao diabetes. O anti-VEGF bloqueia o fator de crescimento endotelial vascular, proteína responsável pelo crescimento de vasos frágeis e pelo extravasamento de líquido na mácula.

Os medicamentos aprovados para essa indicação incluem ranibizumabe, bevacizumabe e aflibercepte. O protocolo mais comum envolve três injeções mensais iniciais seguidas de aplicações conforme a resposta individual de cada paciente.

O procedimento é realizado em consultório, com anestesia tópica em gotas, e dura menos de 10 minutos. O desconforto é mínimo e a recuperação é rápida. Resultados clínicos mostram melhora na acuidade visual em mais de 30% dos pacientes tratados precocemente.

Fotocoagulação a laser: quando e por que ainda é indicada

O laser ainda tem papel central no tratamento da retinopatia diabética proliferativa. A técnica chamada fotocoagulação panretiniana consiste em aplicar centenas de pontos de laser nas regiões periféricas da retina, destruindo áreas isquêmicas que estimulam o crescimento de vasos anormais.

O objetivo não é recuperar visão, mas estabilizar a doença e evitar complicações graves como hemorragia vítrea e descolamento de retina tracional, que podem levar à cegueira irreversível.

O laser também é usado de forma focal para tratar edema macular em casos específicos onde o anti-VEGF não é a primeira escolha ou como terapia complementar.

Vitrectomia: cirurgia para casos avançados

Quando a doença chega ao estágio mais grave, com hemorragia vítrea densa que não se resolve espontaneamente ou descolamento de retina causado por membranas fibrosas, a vitrectomia é indicada.

Trata-se de uma microcirurgia em que o vítreo é removido e substituído por solução salina ou gás, permitindo ao cirurgião reposicionar a retina e remover membranas tracionais.A recuperação pós-operatória pode exigir que o paciente mantenha posição específica da cabeça por dias, conforme o tipo de tamponamento utilizado.

Os resultados visuais dependem diretamente de quanto tempo a retina permaneceu descolada antes da cirurgia, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.

Novidades no tratamento: o que há de mais recente

O faricimabe é o avanço mais relevante dos últimos anos para o tratamento da maculopatia diabética. Diferente dos anti-VEGF convencionais, ele age em dois alvos simultaneamente: o VEGF-A e a angiopoietina-2, proteína que também contribui para o extravasamento vascular.

Aprovado recentemente, o faricimabe permite intervalos maiores entre as injeções, de até quatro meses em alguns pacientes, reduzindo significativamente o número de visitas ao consultório.

Outro desenvolvimento importante é o uso de implantes de liberação prolongada de corticosteroides, como o implante de fluocinolona acetonida, indicado para pacientes com edema macular crônico que não respondem adequativamente ao anti-VEGF.

O implante é inserido dentro do olho em procedimento ambulatorial e libera o medicamento por até 36 meses.

A terapia gênica também avança como horizonte terapêutico. Estudos em fase clínica avaliam a injeção de vetores virais capazes de induzir a produção contínua de anti-VEGF pela própria retina, eliminando a necessidade de injeções repetidas. Embora ainda não disponível comercialmente, os resultados preliminares são promissores.

Controle sistêmico: a base que nenhum tratamento substitui

Nenhuma intervenção ocular substitui o controle do diabetes. Pacientes com glicemia descompensada continuam desenvolvendo novas lesões mesmo após laser ou injeções bem-sucedidas. O tratamento oftalmológico deve sempre caminhar junto com:

  • Controle rigoroso da glicemia com hemoglobina glicada abaixo de 7%
  • Pressão arterial mantida abaixo de 130 por 80 mmHg
  • Controle do colesterol LDL e dos triglicerídeos
  • Cessação do tabagismo, que acelera a progressão vascular
  • Prática regular de atividade física orientada

Pacientes que controlam bem o diabetes e fazem acompanhamento oftalmológico anual têm risco significativamente menor de progredir para formas graves da doença, mesmo quando já existe algum grau de retinopatia diagnosticado.

Frequência do acompanhamento oftalmológico

A regularidade das consultas varia conforme o estágio da doença e o grau de controle glicêmico:

Situação clínicaFrequência recomendada
Diabetes sem retinopatia, controle bomAnual
Retinopatia leve, controle estávelA cada 6 a 12 meses
Retinopatia moderadaA cada 3 a 6 meses
Retinopatia grave ou proliferativaA cada 1 a 3 meses
Em tratamento ativo com injeçõesConforme protocolo do médico

Diagnóstico: como a retinopatia é identificada

O exame de fundo de olho com dilatação pupilar é o método padrão para diagnóstico. Fotografias de retina de campo amplo permitem documentar e comparar as lesões ao longo do tempo com precisão. A angiofluoresceinografia visualiza a circulação retiniana e identifica áreas de isquemia e vazamento vascular. A tomografia de coerência óptica, conhecida como OCT, mede com precisão milimétrica a espessura da mácula e detecta edema subclínico antes mesmo de afetar a visão.

A triagem deve começar no momento do diagnóstico do diabetes tipo 2 e após cinco anos do diagnóstico do diabetes tipo 1. Crianças e adolescentes com diabetes também devem ser avaliados periodicamente.

Sintomas que exigem avaliação imediata

A retinopatia diabética costuma ser assintomática nas fases iniciais. Quando os sintomas aparecem, a doença já está em estágio mais avançado. Procure um oftalmologista sem demora diante de:

  • Visão turva de início súbito
  • Pontos escuros ou moscas volantes novas e abundantes
  • Flashes ou relâmpagos luminosos no campo visual
  • Perda de visão central ou periférica
  • Dificuldade de leitura que surgiu rapidamente

Esses sinais podem indicar hemorragia vítrea ou descolamento de retina, situações que exigem avaliação de emergência para evitar perda visual permanente.

Perguntas frequentes sobre o tratamento

A retinopatia diabética tem cura? Não existe cura, mas o tratamento adequado estabiliza a doença e pode recuperar parte da visão perdida, especialmente quando iniciado precocemente.

As injeções no olho causam muita dor? O procedimento usa anestesia tópica e é bem tolerado pela maioria dos pacientes. O desconforto após a injeção é leve e passageiro.

Quem opera catarata com retinopatia precisa de cuidado especial? Sim. A cirurgia de catarata em pacientes com retinopatia diabética exige avaliação retiniana pré-operatória e, muitas vezes, tratamento prévio com laser ou injeções para reduzir o risco de agravamento do edema macular após a cirurgia.

O plano de saúde cobre o tratamento? Os principais tratamentos para retinopatia diabética, incluindo injeções intravítreas de anti-VEGF, laser e vitrectomia, são cobertos pela maioria dos planos de saúde conforme a regulamentação da ANS.

Conclusão

O diagnóstico precoce e o tratamento consistente são os únicos fatores comprovados para preservar a visão no longo prazo. Pacientes com diabetes que mantêm acompanhamento oftalmológico regular e controlam a doença sistêmica têm prognóstico visual significativamente melhor, independentemente do tempo de diagnóstico do diabetes.

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